Um sistema sob medida não termina no lançamento. Ele vai rodar por anos, guardar dados importantes e sustentar parte da operação. Por isso, as decisões mais importantes de um projeto de software costumam ser tomadas antes da primeira linha de código, e muitas vezes ninguém faz as perguntas certas.
Esta lista serve para qualquer fornecedor, inclusive nós.
Código e acessos
- De quem é o código? O que o contrato diz sobre propriedade e uso?
- Onde ele fica guardado? Em um repositório ao qual a empresa tem acesso, ou só o fornecedor?
- Quem controla a infraestrutura? Contas de hospedagem, domínio, banco de dados e serviços de terceiros estão em nome de quem?
- Como os acessos são entregues ao fim do projeto, e como são revogados quando alguém sai?
Uma empresa sem acesso ao próprio código e à própria infraestrutura depende do fornecedor para qualquer mudança, inclusive para trocar de fornecedor.
Dados e LGPD
- Quais dados pessoais o sistema vai guardar, e por quê?
- Onde esses dados ficam e quem pode acessá-los?
- Existe backup? Com que frequência, onde, e alguém já testou a restauração?
- O que fica registrado sobre quem acessou ou alterou informações?
- Como a empresa atende a um pedido de acesso ou de exclusão de dados feito por um titular?
A LGPD vale para o sistema desde o primeiro dia, e não a partir de uma auditoria futura.
Segurança
- Como funcionam a autenticação e o controle de permissões por perfil?
- Quem cuida das atualizações de segurança das bibliotecas e da plataforma depois da entrega?
- O que acontece em caso de incidente: quem é avisado, em quanto tempo, e o que é feito?
Qualidade e critérios de aceite
- O que significa “pronto”? Existem critérios de aceite escritos para cada funcionalidade?
- Como o sistema é testado antes de cada publicação?
- Há requisitos de performance e acessibilidade, e como eles serão verificados?
- Existe um ambiente de testes separado da produção?
Sem critérios escritos, “funciona” vira uma questão de opinião, e a discussão sobre o que foi combinado acontece no pior momento.
Documentação e continuidade
- O que será documentado: arquitetura, regras de negócio, como publicar, como se recuperar de uma falha?
- Outra equipe conseguiria assumir o sistema a partir da documentação?
- Como as decisões técnicas ficam registradas ao longo do projeto?
Evolução e custo de manter
- Quanto custa manter o sistema no ar: hospedagem, licenças, serviços de terceiros?
- Como será feita a evolução: por demanda, por pacote mensal, por projeto?
- Quais partes dependem de serviços externos que podem mudar de preço ou deixar de existir?
Sinais de alerta
Algumas respostas, ou a falta delas, merecem atenção:
- o preço é calculado só pelo número de telas ou de páginas;
- ninguém pergunta como o processo funciona hoje;
- não existem critérios de aceite, só uma lista de funcionalidades;
- a tecnologia é escolhida antes de o problema ser entendido;
- há promessas de prazo ou de produtividade sem nenhuma base;
- a manutenção depois da entrega fica para “a gente vê depois”.
Uma boa resposta não precisa ser perfeita
Nenhum projeto tem todas essas respostas prontas no primeiro dia. O sinal de um bom parceiro não é ter tudo definido, e sim levar essas perguntas a sério, registrar as decisões e deixar claro o que ainda está em aberto.
Em Digital Products, essas perguntas fazem parte do início de cada projeto, e o Cloudbe Method não deixa nenhuma etapa avançar com uma incerteza crítica em aberto.


